A relação da
história da humanidade e os tributos
Por incrível que pareça, a história da humanidade
se confunde com a história dos tributos.
Apesar da nossa relação conturbada e
controversa com os tributos, é impossível desvincularmos a história da
humanidade com a arrecadação. Por incrível que pareça, a história da humanidade
se confunde com a história dos tributos. E é interessante isso, pois igual às
mudanças sociais, políticas e econômicas que a humanidade passou, o objetivo do
tributo e o meio pelo qual ele era arrecadado nunca foi estático - mudou com o
passar dos tempos.
Desde os tempos mais primórdios, nas
eras das cavernas, ao descobrir sua força o tributo era pago ao guerreiro, ao
mais forte, como finalidade de recompensa. Porém, com o passar do tempo, com o
domínio dos metais e formação das primeiras civilizações, criou-se um novo
modelo de relações, dominante e dominado. E a partir daí, o tributo deixou de
ser voluntário e passou a ser imposição.
Diante dessa relação, os povos
dominados acabaram tornando-se escravos, enquanto os dominantes se fortaleciam,
e junto com ele a ideia de Estado. E com a civilização grega, houveram avanços
interessantes sobre isso, em que a força perdia espaço nas relações sociais, e
a razão vencia. Com isso, criaram-se modelos democráticos, além dos códigos
legais e instituições jurídicas, advindas com os romanos.
E qual a relação arrecadatória
tributária a isso? Toda. Os gregos por criarem o conceito de cidades-estado e
sua posição territorial no mediterrâneo (entre Europa, Ásia, Oriente Médio e
África) não arrecadavam exclusivamente dos seus cidadãos, mas impunha o
recolhimento dos comerciantes, muitas vezes estrangeiros, que faziam circular
produtos na região. Roma por sua vez, e por influência grega, também tributava
dos estrangeiros – e somente destes. Os povos dominados eram os sujeitos
passivos nessa relação contributiva compulsória e arcavam com o ônus de
sustentar Roma.
Com a queda de Roma, deu-se o início
à Idade Média e o feudalismo. Nesse sistema político econômico, o proprietário
do feudo concedia ao servo um punhado de terra, que em troca de proteção e do
mínimo de recursos para subsistência da sua família, pagava tributos (nem
sempre pecuniário) ao nobre. Dentre esses tributos podemos elencar alguns:
·
Talha – parte da produção do servo
era destinada ao senhor feudal.
·
Banalidades – o servo pagava
para usar a infraestrutura do feudo (moinho, forno, etc.)
·
Capitação – tributo pago de acordo
com o número de membros da família
·
Tostão de Pedro – Dízimo pago para a
igreja
Em consequência disso, houve uma
retomada do comércio entre os feudos e assim em seguida o fortalecimento das
cidades. Com isso, se deu o nascimento da burguesia, a qual, por conta dos seus
impostos foi decisiva no financiamento dos estados nacionais e seu
fortalecimento.
Com os Estados Nacionais instituídos
e o fortalecimento da burguesia, houve por parte desses diversos conflitos de
contestação pelo pagamento de impostos em demasia e a falta de participação
política dessa classe. Isso, no caso da França resultou na Revolução Francesa,
sendo um marco haja vista a tomada do poder da burguesia em detrimento da
nobreza.
Quanto ao Brasil, nesse mesmo
período, diversos conflitos e conspirações surgiram com o objetivo de
contestação ante as altas taxas de tributos. Ora, naquele período anterior à
independência, aquele que produzia era obrigado a pagar 1/5 para a metrópole,
Portugal, e não obtinha retorno para a sociedade. O descaso levou às revoltas.
Porém, o descaso não era
exclusividade do imperialismo português. Mesmo após a Independência e
Proclamação da República houve diversos conflitos advindos da marginalização
social e exclusão econômica. Exemplo é a Guerra de Canudos.
Com o tempo, a função do tributo e o
modo como eram recolhidos mudou. Com a instituição do CTN (Código Tributário
Nacional) houve regulação nesse sentido. E, mesmo que em tese, o tributo passou
a ter a função de não sustentar uma minoria e sim o objetivo de ser repassado
para suprir as demandas sociais.
Entretanto, o Brasil não pode ser
considerado exemplo disso. De acordo o IBPT (Instituto Brasileiro de
Planejamento e Tributação), dos 30 países com maior carga tributária, o Brasil
é o último em retorno à população. Muito se perde pela má administração do
dinheiro público, além de desvios das verbas repassadas para entes do Estado –
além da evasão fiscal.
Mesmo assim, é inconcebível pensar
num Estado sem sistema tributário. Como vimos, toda a história passou por suas
desventuras nessa área, e atualmente, mesmo que não tão próximos, em comparação
ao passado estamos no caminho de um equilibrado e justo sistema de tributação.
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